Danielly Tiepo

Ah os fins de semana em família.
Tem coisa melhor? (Mesmo que nesse eu tenha só dormido) Quando optei pela cirurgia decidi que seria um marco na minha vida. Um novo começo,  novas coisas com um toque de renascimento.
Bypass, uma nova chance de recuperar a auto estima. Hoje enquanto almocavamos percebi que nem cumprimentar as pessoas eu queria de tão mal que estou me sentindo comigo. Roupas largas e uma vontade imensa de interagir mas sei que se eu levantasse as pessoas iam perceber o quanto enorme estou.
Sei que as pessoas não iam reparar mas isso é o reflexo da minha consciência.
Não quero mais ser assim. E essa mudança implica não só em emagrecer, mas mexerá na minha vida como um todo.  Rotina de trabalho, academia,  ser mãe e realmente fazer um bom trabalho.
Ah a vida profissional.  Já escutei no trabalho: "nossa você vem sempre com as mesmas roupas". E é obvio que não me vêem como uma profissional competente mas sim uma mãe que trabalha bem. E não venham me dizer que não existe isso no meio corporativo que é mentira. É sim um puta preconceito,  porém preciso mudar isso.
Ah o bypass. Já ando até me sentindo mais "atraente" por ter decidido mudar.
Enfim, as pessoas olham os "gordinhos" com olhar de pena. Os que não sabem se vestir (meu caso) tiram sarro, falam e nunca dão oportunidades. Me transformei numa máquina de trabalho pra eu pelo menos ser reconhecida por isso.
Acabou, decidi mudar.  O primeiro passo foi dado. Agora só planejar o futuro daqui pra frente ;)
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Não não, não tenho vergonha.

Tinham vergonha. Não me falavam essa palavra, mas também não me levava a passeios,  nem apresentava aos amigos, nem fazia nada diferente.

Quanto mais isso acontecia, menos eu comia. Era triste porque eu passava muita vontade das coisas e não tinha apoio nenhum, só crítica.

Cansa sabe... e muito!

Quando se está acima do peso, no meu caso, já me sentia um peso pra sociedade.  Parece que chama atenção de qualquer pessoa. E estar com alguém que não te deixa esquecer isso é pior.

Dietas mirabolantes e uma vida de trabalho, mãe,  dona de casa e o que mais precisasse se tornou desgastante.  Me deixei de lado. Fazia o que dava e me colocava cada vez mais na gaveta. Aquela mais esquecida.

Aí acabou. E me vi livre. Mas livre pra quê exatamente eu não sabia. Aquela foi a fase mais organizada da minha vida. Pensei agora é só manter.

Que nada,  virou uma bagunça já que tinha que lidar comigo, as crias, os problemas e uma demissão logo em seguida.

E de lá pra cá a vida se tornou difícil. Resolvi me resgatar e olhar por mim e olha, para minha surpresa, as oportunidades já começaram a aparecer ;)

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Depois de várias tentativas, mais uma. By pass dia 16 de setembro de 2015. Será que agora vai??
Por mais medo, insegurança ou vergonha, não me vejo mais no espelho, a cada vez que passo ele tenho vontade tirar essa capa toda.
Escuto as vozes me criticando, mas o que mais dói é a minha própria voz ecoando que não sou aquela que esta refletida mas sim, alguém que pode e luta diariamente pela vida.
A tristeza vai passar e a falta de ar também, fôlego então terei de sobra. Mas o melhor de tudo é me livrar de incômodos como: amarrar o cadarço ou simplesmente vestir roupa sem ficar ofegante. Ah o bypass veio como uma solução.
Torcer e ficar ansiosa é o que me resta. Apesar de sempre achar que não é necessário gastar para emagrecer, estou indo contra já que me encontro sem forças e sem vaidade.
É isso, e só!
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Sofri bullyng na adolescência, os meninos da escola tiravam sarro e a cada vez que ia falar ouvia uma risadinha ou um sarrinho. Por ter “bumbum” avantajado os meninos falavam que minha bunda era tão grande que o tecido não dava pra fazer uma calça.
Passei a fugir das atividades em grupo, andava sempre com as mesmas amigas e sem fazer uma nova amizade sequer. Me isolei.
Nesta mesma época meu pai ficou doente e tinha surtos esquizofrênicos em casa, o que fazia eu não levar amigos em casa. Mais um motivo pra eu me afastar das pessoas.
Com isso chegou os 15 anos, sem amigos e sem querer ficar em casa resolvi cuidar de mim. Consultei uma nutricionista em um posto de saúde sem avisar meus pais. Um primeiro emprego e 36 kg a menos achei meu lugar no mundo e com isso o medo de falhar passou a habitar em mim.
Não arrisco e nem termino nada por causa desse medo. Há alguns meses na terapia estou achando meu eu novamente. Porém sempre tive em mente que aos 30 eu seria estável financeiramente e na vida, e adivinha: só piorei. Voltei a engordar, esqueci que era mulher, deixei a vaidade guardada na gaveta e fui a luta. Relacionamentos falhos, filhas amadas e a vida passando.
Quando me dei conta os 30 chegou, fiz 31 e nada por mim. Dietas malucas, falta de tempo como desculpa, filhas como muleta e a vida andando.
Agora estou com quase 32. Bariátrica agendada para daqui 3 semanas e parece que a auto estima voltou, me olhar no espelho voltou a ser uma opção. Quero viver com qualidade de vida sem medo de me frustar a cada não da vida, principalmente porque o NÃO já tenho.
Sei que ser magra não é tudo, mas ter qualidade de vida e uma perspectiva a frente é o melhor impulso que posso ter agora aqui no fundo do poço.
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