Eu e o bullyng
Sofri bullyng na adolescência, os meninos da escola tiravam sarro e a cada vez que ia falar ouvia uma risadinha ou um sarrinho. Por ter “bumbum” avantajado os meninos falavam que minha bunda era tão grande que o tecido não dava pra fazer uma calça.
Passei a fugir das atividades em grupo, andava sempre com as mesmas amigas e sem fazer uma nova amizade sequer. Me isolei.
Nesta mesma época meu pai ficou doente e tinha surtos esquizofrênicos em casa, o que fazia eu não levar amigos em casa. Mais um motivo pra eu me afastar das pessoas.
Com isso chegou os 15 anos, sem amigos e sem querer ficar em casa resolvi cuidar de mim. Consultei uma nutricionista em um posto de saúde sem avisar meus pais. Um primeiro emprego e 36 kg a menos achei meu lugar no mundo e com isso o medo de falhar passou a habitar em mim.
Não arrisco e nem termino nada por causa desse medo. Há alguns meses na terapia estou achando meu eu novamente. Porém sempre tive em mente que aos 30 eu seria estável financeiramente e na vida, e adivinha: só piorei. Voltei a engordar, esqueci que era mulher, deixei a vaidade guardada na gaveta e fui a luta. Relacionamentos falhos, filhas amadas e a vida passando.
Quando me dei conta os 30 chegou, fiz 31 e nada por mim. Dietas malucas, falta de tempo como desculpa, filhas como muleta e a vida andando.
Agora estou com quase 32. Bariátrica agendada para daqui 3 semanas e parece que a auto estima voltou, me olhar no espelho voltou a ser uma opção. Quero viver com qualidade de vida sem medo de me frustar a cada não da vida, principalmente porque o NÃO já tenho.
Sei que ser magra não é tudo, mas ter qualidade de vida e uma perspectiva a frente é o melhor impulso que posso ter agora aqui no fundo do poço.


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